domingo, 1 de março de 2020

Salvador: entre férias e consultas








Em tempos antigos ir à capital era sinônimo de riqueza, buscar suprimentos, trazer novidades ou, quando muito, buscar  atendimento médico que o interior não possuía. Contudo, em tempos de Planserv (plano de saúde dos servidores do Estado da Bahia) a busca por esses serviços médicos é fundamental fora da nossa cidade, uma vez que em Barreiras é muito limitada essa oferta pelo plano.



Assim, foram os roteiros de viagens traçados para às férias de janeiro. Entre consultas e lazer, no dia 14 de janeiro de 2020, logo após um café-da-manhã surpresa para minha mãe, D. Nilva, em comemoração aos seus sessenta anos, pegamos a estrada e seguimos rumo a capital Salvador. Uma viagem para consultas de rotinas. Ficamos hospedados no Absolute Hotel, na Pituba, preço em conta e uma ótima localização entre as clínicas que íamos percorrer. Mas é claro, como viajantes que somos, depois das obrigações vem o lazer. Fomos à praia, ao shopping, até então lugares já conhecidos nossos, pois já fomos a "Terra de todos os Santos" inúmeras vezes. 



No dia 16, como as consultas foram logo pela manhã cedinho, resolvemos explorar lugares ainda não conhecidos. Pegamos a estrada e fomos à Lauro de Freitas, conhecer a Praia do Buraquinho. Praia de águas calmas, temperatura amena, com direito até encontro com o rio. Super recomendo. À noite fomos em busca do Bravo Burguer e fizemos um lanche caprichado, além dos hambúrgueres tem cerveja de qualidade e artesanal, escolhi para experimentar a Fogo na Babilônia, um tanto exótica, mas uma delícia.









Dia 17, diante da localização da última consulta do dia, fomos ao Rio Vermelho e conhecemos o Memorial Casa de Jorge Amado e Zélia Gattai, uma imersão a década de 50/70, com uma arquitetura impecável e um acervo pessoal incrível.







Dia 18, visitamos um lugar que há muito tempo estava na minha lista de visitações soteropolitanas. A Ilha do Frade. Localizada nas proximidades de Madre de Deus. Porém, é preciso organizar um transporte marítimo, facilmente localizável no porto de Madre ou com saídas diárias da capital. A vista oceânica é perfeita.









Meu objetivo maior era conhecer as  Igrejas, contudo, cada uma fica em lados opostos da Ilha. Pelo mal planejamento que fizemos passamos alguns perrengues e alguns transtornos, daí só podemos conhecer a Igrejinha de São Loreto, uma pitada de arquitetura inspirada no Barroco, localizada na ponta leste dos 8 km da ilha.



Fotógrafo Bernardo Machado


No retorno, ficamos para apreciar o pôr-do-sol em Madre de Deus, íamos dormir por lá, mas devido a falta de pousadas disponíveis na cidade tivemos que seguir caminho, paramos em Candeias para nos hospedarmos.





Porém, um susto nos acordou na madrugada, Bernardo com febre alta e vômitos, fomos ao hospital da cidade e acabamos passando o restante da noite com ele em observação. Depois da alta médica seguimos viagem, paramos em Ipirá para dormir, todos estávamos exaustos, chegamos em casa próximo da meia noite e graças a Deus, Bernardo está melhor.




☆☆☆


No dia 27, eu e Fernando retornamos novamente a Salvador, continuidade de consultas e exames. E mais uma vez, claro, passeios são obrigatórios. Dessa vez quis um tour mais cultural. Fomos ao Mercado do Rio Vermelho, um espaço relativamente novo na cidade, degustamos iguarias e cafés.




No dia seguinte, 28, conhecemos dois lugares que ainda não tínhamos ido: o Gabinete Português de Leitura, para apreciadores de livros antigos e literatura de modo geral, um lugar inspirador para se conhecer. Entrada franca.






Após essa visita aos clássicos e transitar pela movimentada Avenida Sete, seguimos ao Museu de Arte da Bahia. Para os apreciadores de arte e história esta é uma parada obrigatória. Um acervo impecável que dialoga com a história da escravidão do Brasil e suas marcas, bem como as instalações contemporâneas de nossos tempos. Vale uma passagem atenta pelas centenas de louças de porcelanas antigas. Entrada franca, também.





Como somos animados, seguimos mesmo cansados ao Pelourinho, percorremos suas ruas e paramos no Largo do Cruzeiro para um café e, assim apreciamos a abertura da Igreja São Francisco e seu ouro reluzente. 





Dia 29, pé na estrada. Durante a viagem paramos no comecinho da Chapada Diamantina e conhecemos a Gruta da Lapinha Ibiquera , que fica quase na beira da estrada. Uma exuberante gruta de acervo geológico, mas como peregrinação cristã, achei meio abandonada e nada inspiradora para àqueles que procuram fé. 
Entrada paga, amém!






Chegamos ao aconchego do nosso lar já à noite. 

Quando viajo e volto, gosto de refletir sobre as idas e vindas e, sempre confirmo meus ideias de mochileira: podemos viajar dezenas de vezes a um mesmo lugar, mas cada vez é única. Cabe a cada um, saber explorar o potencial de cada lugar e descobrir o novo, naquilo já visto.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Festival de Jazz do Capão: experiências sensoriais no vale mágico





Que a Chapada Diamantina tem lugar certo na nossa mala de aventura e amamos voltar por lá, já não é novidade. Por quatro anos seguidos estamos anualmente escolhendo um destino nas terras místicas do coração da Bahia, que sempre nos presenteia com lugares de tirar o fôlego e nos faz conectar com a essência do nosso espírito aventureiro.




Com a desculpa perfeita para ficarmos mais próximos do Festival de Jazz, a escolha de hospedagem deste ano não foi Palmeiras e sim, a simpática vila de Caeté-Açu, localizada no Vale do Capão. Para essa experiência escolhemos bem o lugar, pois uma viagem é feita de trilhas e paisagens, mas também de sensações degustativas e sensoriais e para tal, a melhor  seleção foi a exótica pousada com estilo indiano, Lakshmi. 






Todos os dias ao acordar, o tchai (chá tradicional da Índia) nos esperava com uma suave explicação dos anfitriões e para acompanhar o café-da-manhã experimentamos o lassi (iogurte com frutas e ervas aromáticas), a samosa (uma espécie de pastel de forno), chapati (pão indiano), o dal (feito à base de cereais) e vários outros saborosos alimentos. 






Por entre os dias 21 a 24 de novembro de 2019, estivemos mergulhados na surreal experiência do vale mágico do Capão e para essa aventura, Kamillo Braga, nos acompanhou pela primeira vez. Chegamos com o lindíssimo pôr-do-sol e logo fomos caminhar pelo centro da vila. Sem pressa, sentados no degrau da Igrejinha contemplamos o vilarejo e os transeuntes que ali estavam, degustamos a finíssima e famosa pizza do  Capão Grande.




Dia seguinte (22/11), para as trilhas que nos esperavam nos preparamos com a tranquila meditação indiana guiada pela dona Fátima, e logo após, seguimos à Conceição dos Gatos, como já conhecíamos o trajeto não precisamos de guia, decidimos conhecer um novo acesso à cachoeira, e melhor, gratuitamente. 








A trilha é mais longa e o acesso é íngreme, mas para quem tem disposição vale muito a caminhada. 













Com o calor escaldante (não típico da Chapada) apreciamos o nosso primeiro mergulho de Cachoeira, logo após, já quase às 15:00h da tarde almoçamos uma deliciosa moqueca de palmito de jaca no Boa Vista Restaurante, que faz jus ao nome.












Próxima parada, Cachoeira do Riachinho e o seu tão almejado pôr-do-sol, dessa vez apreciamos o banho em suas águas com volume baixo para a estação de seca e claro, contemplamos a sua vista ma-ra-vi-lho-sa! Em seguida, paramos na estrada para tomar um café num quiosque  com arquitetura de um cogumelo gigante e retornamos a pousada para nos prepararmos para o primeiro dia de Festival.









O evento, como sempre, reuniu grandes talentos da música instrumental. A mostra Capão abriu a noite no palco da praça principal com notas femininas: canto afro indígena TerrAqua, na sequência a cantora Andrea Cathalá, a roda de samba da Yayá Massemba e, o tão esperado jazz de, Nelson Veras e Luã Almeida Sexteto.

















Para o dia seguinte (23/11), fizemos passeios inéditos: mais uma vez sem guia, percorremos uma trilha de descobertas ao Poço das Rodas, caminhada exaustiva para pouca água, mas a vista e o descanso recompensaram. Almoçamos na cidade, no caríssimo, Oxe bistrô.









Após o almoço, resolvemos arriscar conhecer a Lagoa dos Patos, que fica quase à beira da estrada em direção de volta a Palmeiras e, que decisão acertada! Melhor banho da viagem. Uma trilha leve e tranquila com uma vista a um lindo morro, que nos levou a um vale belíssimo.













 Após esse refrescante passeio, paramos no Terroá Café e degustamos os melhores grãos da Chapada e claro, uma boa cerveja artesanal não poderia faltar, ainda mais ao som da banda de samba de mulheres, Yayá Massemba.
  












À noite ficou por conta do Festival e da grata sensação de ouvir Kapelle17, uma banda de garotos alemães que fazem composições jazzísticas autorais, no mínimo fascinantes.  Entretanto, infelizmente, perdemos a principal atração, o famoso pianista e compositor brasileiro Cesar Camargo Mariano, por questões de saúde dos tripulantes aventureiros, mas da varanda do hotel junto ao meu pequeno aprendiz de teclado, Bernardo, ainda ouvimos os seus primeiros sons.







Godó: culinária típica do Capão



Último dia (24/11), hora de arrumar as malas e #partiubarreiras? Que nada! Acordamos cedo, despedimos do delicioso tchai e, primeira parada: Cachoeira do Mosquito. Lugar com um receptivo super organizado, taxa de 20,00 por pessoa para entrar, centenas de degraus e uma vista impecável nos esperava.














 Na estrada, a caminho da cachoeira, conhecemos dona Neide e suas bonecas artesanais de material reciclado. 







Em seguida, paramos em Lençóis e, como de costume almoçamos no O bode, a comida sempre deliciosa e nunca decepciona. Porém, ainda não satisfeitos e com a curiosa vontade de descobrir mais um pouco, resolvemos entrar no já conhecido vilarejo de Campo de São João. 





Novidades nos aguardavam. Descobrimos um casal de design, Carol e Wagner, super receptivos que nos mostraram sua artística casa-ateliê e claro, arrematamos alguns artefatos.







Após uma despretensiosa passagem por uma rua qualquer, nos encantamos com um casarão em ruínas e foi aí que Kamillo percebeu que essa família não tem gostos muito normais...👀😂




E para adoçar nossa última parada, já no finalzinho da tarde visitamos um casario centenário, segundo a proprietária, a casa mais antiga do vilarejo. Degustamos os bem vendidos e mais variados sabores dos Doces D'Ofra. 





Levamos na mochila a doce certeza de que por mais óbvio que seja um lugar pelo qual já passamos algumas vezes, as surpresas que um novo olhar nos traz são sempre emocionantes.