segunda-feira, 6 de maio de 2013

Barreiras e as ruínas do descrédito

“Barreiras e as ruínas do descrédito”, por Daiane Rodrigues

Postado dia 06 de maio às 14h44min em: Barreiras pelo site www.zda.com.br

 Representação na residência do coronel Amphilophio Lopes


Lentamente o patrimônio cultural e histórico da cidade é diluído por interesses particulares e políticos, ora prédios que guardam a memória barreirense e enobrecem o urbano são demolidos e levados ao esquecimento, em outro momento patrimônios públicos são doados ao acaso.

Em razão disso, providenciei com urgência reunir um grupo de alunos para visitar o mais antigo frigorífico da região Oeste. O lugar parece um castelo, paredes altas e soberanas, portas e janelas exuberantes. O recinto, envolto de máquinas gigantescas que se locomovem a todo vapor em tempo de muito trabalho. Esse passeio nos transporta para outra década. Olhares encantados e curiosos rondam as salas que transpiram histórias. Satisfeita, penso: que lição para esses jovens! Contudo, quando menos espero, o estrondo das ruínas nos desperta para a realidade: era só um sonho.


 Ruínas na rua Barão de Cotegipe – Centro histórico


Cercas destruídas, janelas aos pedaços, provavelmente a muito sem abrir, paredes demolidas, maquinário enferrujado, objetos amontoados e o mato que já passa de um metro e meio da altura do entorno. Ah! Têm vários visitantes sim... Ops! São ratos, baratas, cobras... Enfim, animais “cultos e preocupados” com o patrimônio que os alimenta. 


Matadouro, antigo frigorífico construído por Geraldo Rocha, em Barreiras, na Bahia.
 Antigo prédio do matadouro


Assim está o casarão do século passado, conhecido por Matadouro, antigo frigorífico de Barreiras que abastecia a região, primeira construção do gênero de que se tem notícia no município de Barreiras, quem sabe até do Estado da Bahia. Situado em ponto alto da cidade, o que sugere uma vista panorâmica em diversos ângulos, poderia ser transformado em Museu da família Balbino, já que a mesma é proprietária particular de muitas ruínas construções históricas da cidade ou, serviria ao menos, para imortalizar as lembranças de outrora e retribuir com respeito à acolhida barreirense.

Hoje o ilustre lugar fica ao meio de uma quadra de futebol e uma piscina municipal. Algumas pessoas praticam esporte ao seu redor. Mas, o que será que pensam estes frequentadores? E a população?

A frase conceitual afirma: um povo sem passado é um povo sem memória. Pois, se assim é, aqui em Barreiras a população sofrerá de amnésia, Alzaimer. Esvairemos até o esquecimento de nossas raízes?


 Cais de Barreiras. Ao fundo, lado direito, o antigo La Barca


No momento desse devaneio o tempo toma conta das construções antigas da cidade: Casa Vermelha, antigo local comerciário, destruído... Hoje, estacionamento particular/ La Barca, ponto de encontro dos barqueiros do Rio Grande, destruído... Hoje, ciclovia para transeuntes/ prédio de “Manezin Rabo de Taca” na praça Coronel Antonio Balbino (Praça de Alimentação) é o patrimônio mais recente a cair por terra. Sabe Deus no que será transformado!E assim, inúmeros prédios, casarões e casebres se rendem às ruínas do descrédito, mas... Pensamento positivo: acredito que a população, o IPHAN, o governo municipal e estadual ficam torcendo para que as construções se mantenham de pé. Pena!... Não dá para congelar o tempo. Quando o homem não cuida, as ruínas são implacáveis.


Prédio de “Manezin Rabo de Taca”, em Barreiras, na Bahia.
 Antigo armazém de “Manezin Rabo de Taca”


Daiane de Moura Rodrigues
Prof.ª Especialista em Estudos Linguísticos: Leitura e Produção de Textos pela UNEB.

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