“Barreiras e as ruínas do descrédito”, por Daiane Rodrigues
Postado dia 06 de maio às 14h44min em: Barreiras pelo site www.zda.com.br
Representação na residência do coronel Amphilophio Lopes
Lentamente o patrimônio cultural e histórico da
cidade é diluído por interesses particulares e políticos, ora prédios
que guardam a memória barreirense e enobrecem o urbano são demolidos e
levados ao esquecimento, em outro momento patrimônios públicos são
doados ao acaso.
Em razão disso, providenciei com urgência reunir um
grupo de alunos para visitar o mais antigo frigorífico da região Oeste. O
lugar parece um castelo, paredes altas e soberanas, portas e janelas
exuberantes. O recinto, envolto de máquinas gigantescas que se locomovem
a todo vapor em tempo de muito trabalho. Esse passeio nos transporta
para outra década. Olhares encantados e curiosos rondam as salas que
transpiram histórias. Satisfeita, penso: que lição para esses jovens!
Contudo, quando menos espero, o estrondo das ruínas nos desperta para a
realidade: era só um sonho.
Ruínas na rua Barão de Cotegipe – Centro histórico
Cercas destruídas, janelas aos pedaços, provavelmente
a muito sem abrir, paredes demolidas, maquinário enferrujado, objetos
amontoados e o mato que já passa de um metro e meio da altura do
entorno. Ah! Têm vários visitantes sim... Ops! São ratos, baratas,
cobras... Enfim, animais “cultos e preocupados” com o patrimônio que os
alimenta.
Antigo prédio do matadouro
Assim está o casarão do século passado, conhecido por
Matadouro, antigo frigorífico de Barreiras que abastecia a região,
primeira construção do gênero de que se tem notícia no município de
Barreiras, quem sabe até do Estado da Bahia. Situado em ponto alto da
cidade, o que sugere uma vista panorâmica em diversos ângulos, poderia
ser transformado em Museu da família Balbino, já que a mesma é
proprietária particular de muitas ruínas construções históricas da
cidade ou, serviria ao menos, para imortalizar as lembranças de outrora e
retribuir com respeito à acolhida barreirense.
Hoje o ilustre lugar fica ao meio de uma quadra de
futebol e uma piscina municipal. Algumas pessoas praticam esporte ao seu
redor. Mas, o que será que pensam estes frequentadores? E a população?
A frase conceitual afirma: um povo sem passado é um
povo sem memória. Pois, se assim é, aqui em Barreiras a população
sofrerá de amnésia, Alzaimer. Esvairemos até o esquecimento de nossas
raízes?
Cais de Barreiras. Ao fundo, lado direito, o antigo La Barca
No momento desse devaneio o tempo toma conta das
construções antigas da cidade: Casa Vermelha, antigo local comerciário,
destruído... Hoje, estacionamento particular/ La Barca, ponto de
encontro dos barqueiros do Rio Grande, destruído... Hoje, ciclovia para
transeuntes/ prédio de “Manezin Rabo de Taca” na praça Coronel Antonio
Balbino (Praça de Alimentação) é o patrimônio mais recente a cair por
terra. Sabe Deus no que será transformado!E assim, inúmeros prédios,
casarões e casebres se rendem às ruínas do descrédito, mas... Pensamento
positivo: acredito que a população, o IPHAN, o governo municipal e
estadual ficam torcendo para que as construções se mantenham de pé.
Pena!... Não dá para congelar o tempo. Quando o homem não cuida, as
ruínas são implacáveis.
Antigo armazém de “Manezin Rabo de Taca”
Daiane de Moura Rodrigues
Prof.ª Especialista em Estudos Linguísticos: Leitura e Produção de Textos pela UNEB.
Prof.ª Especialista em Estudos Linguísticos: Leitura e Produção de Textos pela UNEB.
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